Poética, de Ana Cristina Cesar

Poética, de Ana Cristina Cesar, é aquele livro do tipo tem que ter. A obra reúne pela primeira vez em volume único, livros fora de catálogo, como “A teus pés” e “Inéditos e dispersos”, além de poemas inéditos de uma das mais importantes poetas brasileiras. Com curadoria editorial do poeta e amigo Armando Freitas Filho, o livro conta com posfácio de Viviane Bosi. Tradutora e poeta incrivelmente talentosa, Ana C., como gostava de assinar, é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo da década de 1970, e tem o seu nome muitas vezes vinculado ao movimento de Poesia Marginal. Ana Cristina começou a ditar poesias para sua mãe aos seis anos, e aos sete já publicava seus poemas nos jornais do Rio de Janeiro, onde morava. Ana fez intercâmbio na Inglaterra, onde se encantou com os poetas como Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield, e aos dezenove anos entrou na PUC RJ para cursar Letras. Na década de 1970, Cesar começou a publicar poemas e textos de prosa poética em coletâneas, revistas e jornais alternativos. As posições pouco conservadoras aliadas a vasto repertório intelectual e apurado senso estético, pavimentaram o percurso de Ana C. para além das agendas ideológicas, em texto firme e seguro, influenciado fortemente por Walt Whitman, onde o corpo aparece como protagonista e o poema se faz o próprio corpo do poeta, como explica Paulo Ricardo Alves, mestre em Letras pela USP . “Amor, isto não é um livro, sou eu que você segura e sou eu que te seguro”. Em 1983, Ana, deprimida, tentou o suicídio no mar do Rio de Janeiro, e era então vigiada por um enfermeiro. Decidida, entrou no banheiro no apartamento que dividia com os pais, ficou nua, se ensaboou, para que fosse impossível alguém conseguir segura-la, abriu a porta do banheiro e correndo, saltou pela janela do oitavo andar. Seu amigo, Armando Freitas Filho, sentenciou: “Ela não foi – ela fica – como uma fera.”

Fevereiro:

Quando desisto é que surges/ Quando ruges é que caio./ Quando desmaio é que corres/ Quando te moves me acho/ Quando calo me curas/ E se te misturo me perco (assobia!) 04.02.1969

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Ana Cristina Cesar.

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Capa do livro “poética” de Ana C.

ONDE ENCONTRAR: americanas.com.br

SAIBA MAIS: Revista Cultbolsademulher.com

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