Gisele Zelauy

 Modelo ícone dos anos 80, queridinha da Chanel e estrela de marcas importantes como Moschino, Fendi e Escada, Gisele Zelauy sempre está no lugar certo. Louca por cinema, ela mora em Los Angeles, onde escreve seus livros. Esbanjando estilo e elegância, Gisele divide um pouco de seu savoir-faire com os leitores de Hardecor.

Gisele Zelauy-Gasoline Film {courtesy Heist Films Entertain}

http://giselezelauy.com/

Hardecor: Qual o cenário perfeito para Gemma Swann, protagonista de seu livro Shake Up?

Gisele Zelauy: O mundo. Gemma Swann é uma “Femme du Monde”, e qualquer lugar, desde o mais decadente até o mais elegante pode adequar-se à sua personalidade.
 Gemma, uma jovem que precisa manter o status quo de celebridade, está sempre rodeada de sofisticação e bom gosto. Seu apartamento é grande, pintado em off-white brilhante do chão ao teto e cercado com mobiliário neoclássico, lâmpadas de óleo original em bronze com vidro fosco que lançam sombras assimétricas nas paredes criando assim um cenário de filme, como parte da sua loucura.

H: E para Gisele Zelauy?

G: Antes era a passarela onde criei minha marca. Hoje é minha escrivaninha e meu computador, onde libero todas as minhas fantasias…você terá que ver por si mesmo.

H: Gisele, que diferenças e semelhanças você percebe entre as casas européias, americanas e brasileiras?

G: As casas européias têm muito charme e muita historia para contar, afinal Paris, Milão, Roma são cidades muito antigas, e todas têm seu charme. Cultura, livros e ambientes luxuosos e ao mesmo tempo acolhedores – é bom lembrar que a decoração francesa até hoje é numero 01 no mundo. Nos Estados Unidos, é aquela coisa mais ” Home Sweet Home”, e a diversidade impera, passando pelas velhas construções em L.A. que misturam vários estilos – o decor vai de A a Z. Do Arts and Crafts até o Ultra Contemporâneo. No Brasil, a diversidade é grande também, mas com um toque mais tropical, mais modernista. Temos designers e arquitetos maravilhosos tais como Oscar Niemeyer, Joaquim Tenreiro, Paulo Mendes da Rocha, sem falar nos novos.

H: O que vem em primeiro lugar na sua wish list de decoração?

G: Com Lagerfeld, e convivendo muito na Maison Chanel descobri que cada objeto conta uma história. Basta ver o apartamento de Mademoiselle. Cada peça é única. E fotografando com Karl, vi a importância do Art Deco, tanto na coleção dele, quanto nos objetos que usávamos nas fotos. Hoje morando em West Hollywood, adoro tudo relacionado com decorações suntuosas, escalas gigantes e o preenchimento criativo do espaço. Los Angeles me inspira… você tem a impressão de que aqui na terra do sol perpétuo e pessoas felizes bronzeadas, todo mundo é uma estrela de cinema e ninguém precisa trabalhar. A cidade inteira é um set de filme. A casa que eu mais gosto em LA é do decorador Martyn Bullard, tecidos e tapetes com explosão de cores e texturas diversas, tudo misturado mas que faz o maior sentido juntas, numa casa que originalmente pertenceu a Rodolpho Valentino.

H: Na sua casa, qual o seu objeto preferido?

G: Meu telefone preto Eisenhower, que além de contar é também um captador de histórias… vou dizer porque aboli os telefones sem fio da minha vida e optei por um desses telefones monstruosos e antiquados fixados na parede: não tenho a inclinação de ouvir fofocas e notícias ruins em pé.
 Etiqueta de telefone me aborrece até a morte. Agora, quando eu quero bater o telefone na cara de alguém, eu faço isso corretamente. Faço-o com um grande estrondo. Agora, na ausência de um botão de discagem rápida, tudo o que tenho a temer é apenas que, em caso de emergência, eu não seja capaz de discar o seletor rotativo enferrujado com pressa. É vanguarda? Pode apostar sua vida que é.

H: O que não pode faltar na sua casa?

G: Hoje meu maior luxo é alimentação. Comer bem, sem agrotóxicos é algo muito luxuoso. Então a geladeira sempre tem que estar cheia de coisas naturais e frescas. Esse é o grande luxo para mim hoje em dia
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H: Como foi fazer “gasoline”?

G: O trailer é tudo… devo admitir que estou curiosa para descobrir o que vão achar de tanto conflito gerado em cinco minutos… a suíte no Chateau Marmont onde foi rodada a filmagem foi o cenário perfeito para criar a vibe deste filme noir. Dependendo de qual lado da metralhadora você está no vídeo arte Gasoline, pode ser bastante doloroso…e cada personagem que passou pelo quarto acabou virando parte do script e era incentivado a falar duro e comportar-se mal… só mesmo o diretor Gustavo Von Ha poderia ter dado tanto espaço para a espontaneidade. A arte permite isso. Quem será a próxima vítima? Não olhe para mim… Eu estou perfeitamente satisfeita em ser curada da minha Femme Fatale, mas não do meu comportamento debochado nas passarelas que é à prova de balas.

H: O que inspira você?

G: Vintage fashion, Josephine Baker, a trágica dançarina exótica Mata Hari, o corte de cabelo de Louise Brooks, a musa Kiki de Montparnasse, o gênio de Man Ray. Claro que eu não poderia me perder no retro-fashion para sempre como Bella Lugosi no seu Drácula…por isso voar para a órbita do espaço no inovador Virgin Galactic, vestida futuristicamente como Lady Gaga, flutuando pela nave com facilidade pode ser a coisa mais inspiradora para mim. Afinal de contas tudo deveria ser uma conquista do espaço…literalmente.

 

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