Vozes anoitecidas, livro de Mia Couto

Imperdível o lindo “Vozes anoitecidas”, livro de contos de Mia Couto. Membro correspondente da Academia Brasileira de Letras, Couto nasceu em 1955, na Beira, Moçambique. Biólogo, jornalista e autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia, foi vencedor do Prêmio Camões, o mais prestigioso da língua portuguesa. Seu romanceTerra sonâmbula” é considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX. Em “Vozes anoitecidas”, é difícil separar fantasia, realidade, sonho, prosa ou poesia. Retrato de um povo que sofre por medos pertinentes à dura realidade, Mia faz relato primoroso em que o mais importante é a percepção da angústia do povo de Moçambique, e sem dúvida, apreciar a refinada poética do autor, considerado por João Ubaldo Ribeiro “um dos mais importantes escritores da língua portuguesa”. Um dos contos mais lindos, é “A fogueira”: “A fortuna da velha estava espalhada pelo chão: tigelas, cestas, pilão…O velho foi chegando…e arrumou sua magreza na esteira vizinha. Levantando o rosto e, sem olhar a mulher, disse: “Estou a pensar”. É o quê, marido?, responde a velha. “Se tu morres, como é que eu, sozinho, doente e sem forças, como é que eu vou-lhe enterrar? Somos pobres. só temos nadas. Nem ninguém não temos. É melhor começar já a abrir tua cova, mulher.” A mulher comovida, sorriu: Como és bom marido! Tive sorte no homem da minha vida. Impossível não se comover.

Capa do livro de Mia Couto, Vozes Anoitecidas.

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