Daniel Ueda em entrevista exclusiva para Hardecor

Daniel Ueda, ou simplesmente Dani, é stylist aclamado no universo da moda. Grandes marcas contam com sua expertise para traduzir o conceito de cada coleção para o público, na forma de desfiles ou editoriais. Na última São Paulo Fashion Week, Ueda trabalhou na concepção de oito desfiles, das marcas Lenny, Água de Coco, João Pimenta, PatBo, Ellus 2nd Floor, Helô Rocha, GIG e Juliana Jabour. Esse dracenense, um cara moderno e antenado desde sempre, a ponto de perceber que sua sensibilidade é tão grande que precisava ganhar a estrada rumo à lugares mais cosmopolitas, é super solicitado e se diverte trabalhando. Ueda, que tem um olhar cheio de energia, é também doce, fiel aos amigos, gentil e muito educado, quase tímido. Um verdadeiro cosmopolita!

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O fofíssimo e super competente Daniel Ueda.

 

Hardecor: Daniel, fale sobre sua trajetória, conte para a gente como você começou, como você foi parar na moda?

Daniel Ueda: Eu fui para a moda meio sem querer. Fui para São Paulo fazer cursinho para arquitetura e acabei não estudando. Nunca fui muito estudioso, e no fim do ano li uma reportagem sobre a faculdade de moda que estava começando no Brasil. Aí pensei: porque não? Eu tinha certeza de que não ia passar em arquitetura, era super difícil na época, e eu queria ficar em São Paulo. Meu pai tinha falado: “se você não passar, vai voltar a morar em Dracena”. Aí resolvi prestar Moda e passei na Anhembi Morumbi. Eu já gostava de moda, mas não sabia que isso poderia ser uma profissão e que eu poderia trabalhar com isso.  Quando eu li a reportagem já sabia que eu queria trabalhar com moda, mas não queria ser estilista,  o que já me direcionou mais, e no segundo mês de  faculdade consegui um estagio na revista Vogue. Foi como eu comecei realmente, por que aí eu já me envolvi logo de cara e fiquei uns quatro anos na revista como assistente. Foi uma escola muito importante. Dois anos depois de entrar na faculdade, tranquei a matrícula e não terminei. Basicamente foi assim que comecei.

H: Quais são suas referências, como você se inspira?

DU: É uma coisa tão difícil explicar isso porque realmente acho que é uma coisa muito orgânica, mas também muito do cotidiano, da música, do cinema, de movimentos culturais. Às vezes uma ideia pode surgir a partir de uma almofada estampada, então é muito orgânico e muito intuitivo.

H: Como é o seu processo de produção?

DU: Geralmente eu tenho uma ideia ou a revista me sugere um tema. “A gente quer que você faça uma matéria de brancos”, por exemplo, e em cima disso eu trabalho. Às vezes eu posso escolher fazer uma matéria. Por exemplo, em uma temporada de muitas listras, vou pensar na melhor maneira de como contar uma história de listras para isso ter uma cara nova e inusitada, e que possa traduzir melhor o tema de uma maneira diferente, já que isso já foi feito umas quinhentas vezes. Então eu tenho que partir de uma história para pensar a modelo e o fotógrafo certos, ou ao contrário, eu chamo o fotógrafo e juntos temos uma ideia. Em cima disso a gente monta uma história e como ela vai ser contada, como a gente vai traduzir isso em fotos e na moda, como vão ser as roupas, como vai ser o clima todo, então eu acho que é uma historinha que a gente tem que contar de uma maneira nova.

H: A vida profissional de uma modelo é uma vida mais curta, com foco na juventude. Eu tenho notado algumas campanhas importantes com modelos mais velhas/os. Como você enxerga isso?

DU: Eu acho legal também, porque às vezes uma menina muito nova não necessariamente vai ter a vivência para passar determinado tipo de emoção, para passar a história que deve ser contada. Como na moda ultimamente as meninas são cada vez mais novas, que eu entendo que traz uma coisa fresh, e eu adoro trabalhar com new faces, mas é legal ver esse caminho inverso. Alguém um pouco mais velho com um pouco mais de bagagem que já tem uma vivência maior pra contar uma historia junto com você.

H: Uma menina bonita não necessariamente vai ser uma boa modelo. Fale um pouco sobre isso, por favor.

DU: Exatamente, e a grande maioria, não necessariamente as mais bonitas, são as mais incríveis. Eu acho que é um dom na verdade, mas você pode ir se moldando com o tempo e aprendendo a fazer seu trabalho da melhor maneira possível. Você pode não ser a pessoa mais bonita, mas se você sabe se posicionar bem e tem vontade de querer ser, acho que isso ajuda muito, querer ser a melhor. Sempre tem um ângulo que ela vai ficar mais bonita, e eu acho que não necessariamente a moda busca hoje a beleza clássica, angelical, a menina de olho verde, loirinha, não é o que a moda busca necessariamente. É muito mais uma coisa de personalidade e atitude do que talvez necessariamente de beleza.

H: Antigamente o foco era só na beleza, as modelos eram o veiculo para a roupa, a personalidade delas não entrava na conta…

DU: Exatamente. Hoje entra a personalidade, até a quantidade de seguidores do Instagram, então são muitas as variáveis.

H: Quem você acha hoje que é uma menina nova que vai super estourar? Tem alguém que você pode citar?

DU: Tem uma menina nova chamada Lorena Maraschi. Tenho adorado trabalhar com ela.

H: Quantos anos ela tem?

DU: Acho que ela tem 18 ou 19, está começando e é uma menina que não necessariamente você acha bonita logo de cara, mas ela tem uma super personalidade, uma força de vontade… ela é incrível.

H: Fale sobre o sucesso profissional no mundo da arte, da moda.

DU: Acho que tem uma porcentagem de talento, mas tem muitas outras variáveis. Profissionalismo, força de vontade, foco, trabalhar realmente duro, porque principalmente no mundo da moda as pessoas entram com uma ideia de que é muito glamour, mas realmente é 100% trabalho o tempo todo. Foco e disciplina podem contar muito mais do que o talento.

H: Existem alguns nomes que te influenciaram visualmente e que você usou especialmente quando estava começando? Fotógrafos, estilistas, personalidades que te serviram como referência importante?

DU: Vários, na verdade. Na Vogue, uma experiência  muito legal foi com o Giovanni Frasson, com quem fiquei um tempão. Uma pessoa que me ensinou bastante foi o Paulo Martinez, com quem trabalhei depois de sair da revista, e que me abriu os olhos para outros pontos de vista. Ele é um super stylist e editor brasileiro. Trabalhar com ele um tempo longo abriu minha cabeça. Tem vários fotógrafos que eu amo. Amo o Steven Meisel, (Richard) Avedon… os japoneses me influenciaram muito também, e talvez eu tenha um pouco isso no sangue. Amo também o trabalho da Grace Coddington na Vogue América.

H: Como você se diverte?

DU: Nesse momento da vida eu me divirto quando estou trabalhando, literalmente, e isso é bom porque o trabalho hoje, dentro dessa equação, ocupa quase 100% do tempo da minha vida. Realmente eu amo o que faço e não sinto que é trabalho. Eu faço as coisas com paixão e me divertindo. Mas fora isso eu amo viajar, é uma coisa muito importante pra mim, estar em outros lugares e vivenciar diferentes culturas, cinema e música.

H: Que tipo de lugar te atrai para viajar?

DU: Lugares mais urbanos, grandes centros urbanos, como Nova York, Londres, Paris.

H: E como é a casa do Daniel Ueda?

DU: A minha casa… todo mundo fica surpreso quando chega em casa, porque acha que vai ser uma casa super pop, mas minha casa é super clássica, sabia? Parece uma casa de vovó, acho até que agora está menos, mas é bem clássica. Meu trabalho é super colorido, tem muita textura o tempo todo, então minha casa é bem limpa. Não consigo ter muita cor nas paredes. É tudo bem clássico, até pra eu poder me acalmar.

 

 

Daniel Ueda: https://www.instagram.com/danielueda1/

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