Casa Cajueiro em Trancoso, por Wilbert Das

designer holandês Wilbert Das visitou Trancoso em 2004 depois da dica de um amigo italiano. E ficou completamente encantado: “eu nunca havia estado em um lugar como esse”. Em 2006, Das e seu parceiro, Bob Shevlin, eram visitantes regulares, e alguns anos depois, abriram o Uxua, hotel de luxo com apenas 12 casinhas, decoradas com artesanato regional, almofadas dos Pataxós e mobiliário antigo/reciclado. Não demorou muito para que os visitantes, tão seduzidos pelo encanto lânguido de Trancoso quanto pela interpretação de Das, começassem a pedir que ele projetasse casas para eles. Um magnata da mídia belga – hóspede regular do Uxua – convidou Das em 2015 para criar a Casa Cajueiro, uma casa de férias, perto do centro histórico da cidade, de frente para a selva, e deu carta branca ao designer. Das, que era diretor criativo da grife italiana Diesel quando chegou ao Brasil,  desenhou a planta preservando 14 das árvores maduras da propriedade, como carambola, canela, jaca e almiscar. Cinco suítes, cada uma com sua própria linguagem, se conectam com o bloco dos espaços comuns, em torno da árvore central, oferecendo vista ampla para o oceano. Como seria o modernismo, ele pensou, se tivesse sido inventado em Trancoso? Enquanto os quartos separados, com seus telhados inclinados em madeira de parajú vermelho-ferrugem, lembram as cabanas de pesca locais, o núcleo da casa, com sua longa faixa de janelas do chão ao teto sob um telhado plano de concreto, reflete o estilo clássico do meio do século XX das casas de São Paulo. No interior, Das se concentrou em artesanato e técnicas que revelam a mão humana, referenciando a obsessão do modernismo pela era da máquina. Em toda a casa, pingentes de cerâmica em vidro em tons de lavanda e sálvia imitam os desenhos do século XX do fabricante de iluminação dinamarquês Louis Poulsen. Na sala de jantar, Das contratou um carpinteiro local para construir uma mesa monolítica a partir de grossas fatias de madeira de jaca, para parecer com uma única árvore pré-histórica. Em volta da mesa estão cadeiras de três pernas, as costas magras como vassouras, feitas de cumaru, freijó e braúna; reinvenção de Das da icônica cadeira Girafa, da arquiteta brasileira nascida na Itália Lina Bo Bardi. Mobiliário dos craques Carlo Hauner, Kennedy Bahia e Jean Gillon, completam o cenário. Não há torres no horizonte, nem resorts, nem mansões à beira do penhasco refletindo o sol. Apenas a natureza! 

Uxua: http://uxua.com/pt/

via: https://www.nytimes.com/

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