A presidente do MACS Cristina Delanhesi concede entrevista exclusiva a Hardecor

Em entrevista exclusiva, Cristina Delanhesi, presidente do MACS, Museu Arte Contemporânea de Sorocaba, fala sobre os desafios, alegrias e tarefas que é gerir um museu privado em uma cidade do interior no Brasil. Sorocaba fica a 87 km de São Paulo, tem quase 700.000 habitantes e é a maior cidade da região. O MACS é um museu privado gerido por pessoas da sociedade civil, entre eles empresários, artistas, educadores, intelectuais e produtores culturais. Instituição cultural eminentemente artística e educativa, o museu é um espaço dinâmico e plural que prioriza a difusão das artes visuais, e tem como principal objetivo ser uma instituição cultural de excelência, com visão prospectiva,  capaz de operar no mesmo nível de qualidade das mais destacadas instituições congêneres do país. Sua programação tem forte preocupação educativa e abarca as mais variadas tendências artísticas e contemporâneas. A descentralização da cultura é uma das importantes características deste museu, e um dos objetivos iniciais. O museólogo Prof. Dr. Fábio Magalhães é o responsável pelo projeto museológico e Diretor Artístico do museu, além de ser um dos maiores entusiastas e apoiador do projeto desde seu início. Cristina Delanhesi nos conta um pouco dessa missão corajosa em que está profundamente envolvida desde o começo, em entrevista exclusiva, que continua no próximo post. 

     A presidente do MACS, Cristina Delanhesi

 

Hardecor: Conte, por favor, como surgiu o MACS.

Cristina Delanhesi: O MACS surgiu do desejo de um grupo de pessoas que queria um museu de arte na cidade de Sorocaba. Ele é fruto do entusiasmo de um aguerrido grupo de empresários, intelectuais e artistas, que se organizaram para criar um museu vivo, dinâmico e descentralizado, colocando o interior do Estado no roteiro das artes visuais no país. Uma das peculiaridades deste museu é que ele não nasceu de uma grande coleção ou grande fortuna e sim de um grupo da sociedade civil que sentiu a necessidade de ter na região metropolitana, um espaço voltado prioritariamente às artes visuais. O MACS é um museu privado, com o titulo federal de OSCIP- Organização Social Civil de Interesse Público.

H: Onde o MACS quer chegar?

CD: Nosso maior desejo é conseguir concluir as reformas no prédio histórico que abriga o museu, dois galpões da antiga Estação Ferroviária de Sorocaba. Após esta etapa, a instituição poderá concentrar seus esforços nas atividades culturais e artísticas que são o motivo de existência do museu. Com isso tudo acreditamos que o respeito do publico irá aumentar e se consolidar.

H: Qual é a ligação do MACS com os museus de mesmo nome em São Paulo?

CD: Nenhuma ligação além da finalidade artística; todos os MAC trabalham exclusivamente com arte contemporânea e em geral levam o nome da cidade onde estão inseridos ou instituição mantenedora tais como: MAC Niterói, MAC USP, etc.

H: Conte, por favor, como é o dia a dia de um museu em uma cidade do interior.

CD: O dia a dia é parecido com o de todos os outros museus. Há que se ter muito planejamento a médio e longo prazo, muitos projetos elaborados e enquadrados em leis de incentivo, muita determinação e foco em ações positivas.

H: Quais são os maiores desafios do MACS?

CD: Os maiores desafios são manter motivada a equipe que trabalha de forma voluntaria como é o meu caso e captar recursos para a reforma e as atividades da instituição. O MACS não recebe nenhuma subvenção publica de forma recorrente e precisa levantar recursos com inúmeras atividades tais como: doações de associados e amigos do museu, patrocínio de empresas, leilões de arte, vendas de livros, feiras e bazares, etc.

H: E as maiores alegrias?

CD: São muitas! Ver o museu receber visitas de cerca de 12 cidades de nossa região metropolitana, receber crianças para as nossas atividades, receber apoio incondicional de artistas, colecionadores e artistas de todo o Brasil e perceber que há muito ainda para se fazer e mesmo com todas as dificuldades, isso é possível.

H: Como um museu pode mudar a vida em uma cidade do interior? E como o MACS se coloca para Sorocaba?

CD: Um museu traz muita força intelectual para a cidade onde está inserido. Quando começamos as atividades do museu, Sorocaba não era conhecida pela maioria das pessoas desse métier. Hoje podemos ver o nome do museu circular em todos os meios e somos reconhecidos como uma instituição seria e comprometida com o universo das artes visuais.

H: Qual é a sua história com a arte antes de assumir a presidência do museu?

CD: Sempre gostei de arte e frequentava museus e galerias desde o início da minha vida adulta. Quando pensei no projeto do museu já estava trabalhando com produção cultural nas áreas de música, artes visuais e dança contemporânea.

H: Por que assumiu a presidência?

CD: Foi uma sequência meio logica em função da minha dedicação ao projeto. No início achávamos que seria mais rápida a implantação do museu. Depois de alguns anos de trabalho tivemos consciência da complexidade e burocracias envolvidas. Naquele momento eu era a pessoa mais envolvida no processo e assumi para garantir a perenidade do projeto.

H: Qual é o seu foco e o que pretende deixar como legado da sua gestão?

CD: Estou no meu último ano como presidente, saio em dezembro e vou para um dos conselhos da instituição. Meu legado é a própria criação da instituição. Quando começamos não tínhamos absolutamente nada, nem espaço, nem acervo, nada além do desejo de criar um museu. Da criação da instituição até hoje o mais difícil está feito. Somos respeitados em todo o país, estamos habilitados em todas as instâncias públicas, criamos um acervo com mais de 700 obras, ganhamos dezenas de editais e captamos milhões em recursos que foram utilizados na reforma do prédio, atividades culturais e artísticas além da capacitação de dezenas de pessoas na área museológica. Tenho muito orgulho de tudo o que foi feito até agora e posso afirmar que não foi fácil fazer.

MACS: https://www.macs.org.br/

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