Hotel Asmundo di Gisira, projeto Studio Gum

Situado no sopé do Monte Etna, na Sicília, Catania é rica em lenda, mitologia e religião. Um elefante de pedra de lava, símbolo da cidade, fica na Piazza del Duomo – o sagrado e o profano, pode-se dizer. As ruas circundantes deste Patrimônio Mundial da UNESCO estão repletas de veneráveis palácios barrocos construídos após um grande terremoto em 1693. A poucos passos da catedral principal, uma residência nobre de 1.700 agora contém um hotel boutique vibrante, o Asmundo di Gisira, projeto Studio Gum. Nossa história se desenrola na segunda história do palazzo. As co-fundadoras da Studio GUM Valentina Giampiccolo e Giuseppe Minaldi – arquiteto e designer, parceiros pessoais e profissionais – subiram com o cliente Umberto Gulisano, um dentista que se transformou em empresário hoteleiro, para conhecer as salas abandonadas e um pátio estreito. Alguns ambientes tinham acesso a um terraço, enquanto outros se conectavam diretamente as ruas. Giampiccolo e Minaldi determinaram que seis quartos seriam quartos de hóspedes, todos de proporções generosas. O resto do espaço seria entregue à recepção, uma sala de café da manhã, uma sala de estar e uma cozinha. Giampiccolo e Minaldi simultaneamente respeitaram a história e olharam para o futuro. A demolição e a construção foram mínimas, concentrando-se em cercar o pátio com uma claraboia, acrescentar banheiros privativos e instalar piso em madeira carvalho ebanizado em paginação espinha de peixe. Molduras decorativas, tetos em estuque ou afresco e outros elementos inimitáveis do passado foram preservados para este hotel de luxo para lá de bacana!! Para ajudar a executar o projeto, ela e Minaldi também convocaram um quadro de artistas internacionais. Este é o design de hoje, um minestrone saboroso. Um ingrediente essencial na decoração é a história do lugar, com cada espaço dedicado a um mito ou lenda sobre a Sicília ou Catânia. Móveis da década de 1930 até os anos 1960, versus o século XVIII, impulsionam o enredo. “Uma história que inspirou as áreas públicas é aquela sobre Billonia”, observa Minaldi. Como diz a lenda, ela era uma bela florista que distribuiu boa vontade em passeios pela cidade durante o século XIX. Primeiro encontramos sua imagem em um retrato na entrada, recebendo os convidados. Em seguida, visível além da área de recepção, estão a cabeça e o pescoço de um enorme flamingo rosa. Não, este não é o kitsch da Flórida, mas uma referência aos flamingos que costumavam habitar a fonte no Giardino Bellini, um parque homenageando o compositor operístico Vincenzo Bellini, filho nativo de Catania. A metade inferior do pássaro falso é ocultada por um invólucro revestido de uma colcha de retalhos de espelho colorido em várias cores aquosas, ambiente que oferece café expresso e doces para a sala de café da manhã, que foi transformado em um jardim de fantasia pelo papel de parede encomendado de um ilustrador sueco. Um mural retratando um homem sentado de terno e gravata, estudando um guia de viagens fala sobre a memória de um lugar, diz Giampiccolo. Dos quartos de hóspedes, a mais intensamente narrativa é dedicada a santa padroeira do século I da cidade, Agata. A cama de dossel é coberta com algodão branco transparente representando “o véu que milagrosamente salvou Catania das erupções do Monte Etna”, explica Giampiccolo. Flanqueando a cama, faixas de lona suspensas no teto são impressas com fotografias em preto e branco de multidões que adoram o santo. Sob os pés, tapetes turcos, overdyed, vermelho sangue. Enquanto isso, escondendo o teto, treliças pintadas de branco decoradas com luminárias de LED lembram o esplendor típico das cidades do sul da Itália celebrando os dias dos santos. A lenda de Colapesce, um jovem mergulhador que acabou por morrer à procura de tesouros para os soberanos da Sicília do século XII, é referenciada pelo papel de parede de outro quarto. Os amantes míticos Galatea e Acis encontram representação em camas separadas colocadas a tête-à-tête, divididas por uma cabeceira. O maior quarto de hóspedes, encimado por um notável teto com afrescos, conta a história de Proserpina, deusa da colheita. Uma estrutura de ferro, que lembra uma estufa, é construída em uma parede para criar um nicho para a cama. Na frente, móveis de meados do século XX e banquetas Mario Botta. Completando o estudo da turnê na mitologia e no folclore local, o quarto de hóspedes dedicado a Uzeta, o cavaleiro fictício que derrotou os gigantes sarracenos, apresenta uma cabeceira de tiras de couro sobrepostas, detalhadas com tachas de latão. Armadura? Pode apostar. Sob os holofotes, um jacaré de cerâmica branca e um “gigante” contemporâneo, uma escultura de pés de espuma preta gigantesca de Gaetano Pesce. Lindo de tudo!! Anote a dica! 

Asmundo di Gisira: https://www.asmundodigisira.com/?lang=en

Fotos: Filippo Bamberghi / Photofoyer, via: https://www.interiordesign.net/

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