O hotel boutique de 13 quartos, projetado pelo estilista Christian Louboutin e pela arquiteta Madalena Caiado na Vila de Melides, ao sul de Lisboa, celebra o trabalho artesanal e foi “concebido na escala da mão”. Batizado em homenagem à cor característica do designer francês, Vermelho, é o primeiro projeto de hotelaria de Louboutin. Os quartos foram decorados com obras de artesãos locais e uma seleção de materiais e móveis da coleção pessoal de Louboutin. “Este projeto me permitiu esvaziar meu depósito, que estava cheio de antiguidades e objetos que comprei ao longo de muitos anos!”, disse Louboutin à Dezeen. Em determinado momento do desenvolvimento do projeto, parecia que ele poderia não ser aprovado para funcionar como hotel, então Louboutin decidiu: “Se não vai ser um hotel, vou fazer dele a minha casa”. Como resultado, cada um dos quartos do hotel foi projetado individualmente e possui sua própria identidade.
“Se você construir uma casa, nunca vai projetar o mesmo cômodo três vezes”, disse o designer, isso só existe em hotéis. As casas têm personalidade – têm regras diferentes das dos hotéis”, continuou ele. “Você não pode deixar sua casa parecer um hotel.” O Vermelho foi projetado para se “integrar bem à vila” e era importante para Louboutin “que ele realmente respeitasse a área e o meio ambiente”. O hotel resultante se integra à rua como uma série de edifícios tradicionais na linguagem arquitetônica local: reboco branco com detalhes em azul no rodapé e nas janelas, telhados de terracota e uma dispersão de chaminés que pontuam a paisagem urbana.
O estilo maximalista e eclético do hotel foi concebido como um reflexo do gosto pessoal de Louboutin, ao mesmo tempo que celebrava o savoir-faire português e as tradições dos artesãos locais. Tendo já trabalhado com Caiado na sua casa em Lisboa, o desafio de Louboutin para a Vermelho era mostrar a Caiado uma pulseira indiana da sua coleção, que por fora parece uma simples pulseira de ouro, mas que na sua parte interna é gravada com desenhos de animais complexos e cravejada de diamantes. “Eu disse à Madalena que o hotel deveria ser como a pulseira; do lado de fora, não se vê nada”, explicou Louboutin. “Deve ser um edifício muito simples e bem projetado, que não revele muita informação sobre o interior.” “Mas quando você entrar, deve ser aquela coisa com animais e diamantes”, continuou ele. Para alcançar o interior altamente decorativo e detalhado, a designer Carolina Irving atuou como consultora na criação têxtil e decoração, e a designer Patricia Medina como consultora de interiores e azulejaria. Afrescos pintados à mão pelo artista grego Konstatntin Kakanias cobrem as paredes, enquanto os quartos apresentam guarda-roupas com treliças francesas da Maison Gatti.
Os trabalhos de marcenaria e carpintaria sob medida foram executados pela empresa espanhola de mestres artesãos Los Tres Juanes. Ao longo do projeto, Louboutin utilizou azulejos do Alentejo e deu ao artista italiano Giuseppe Ducrot, carta branca para criar detalhes esculturais em cerâmica para a fachada. O restaurante do hotel, chamado Xtian, apresenta um lustre mural Klove Studio e um bar feito sob medida, revestido com folha de prata martelada, produzido pela Orfebrería Villarreal, ourivesaria litúrgica sediada em Sevilha.
Em entrevista à Dezeen, Caiado descreveu o projeto como “ao mesmo tempo, o projeto mais extravagante e mais tradicional que já fiz”. “O maior desafio foi equilibrar as diferentes constelações de ideias para cada espaço, de forma a obter um resultado harmonioso”, explicou ela. “Especialmente durante a construção, Christian esteve presente e trouxe seu próprio universo criativo, mas também uma maneira de pensar mais tátil e com um componente artístico de busca pela novidade, mesmo quando se tratava de materiais e técnicas tradicionais – quase como se o hotel tivesse sido projetado na escala das mãos daqueles que o construíram.”
https://www.vermelhohotel.com/
via: Dezeen; fotos: Ambroise Tézenas
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